domingo, 4 de novembro de 2012

Verdades Inconfessas (Pedro Drumond)




Verdades Inconfessas (Pedro Drumond)

Paradoxo
Infernal, celestial
O açúcar, o sal
A secura, a umidade
De dois olhos fitando um único abismo

Que é encantador pelo seu infinto
Preenchido quanto mais vazio
Entendido quanto menos respondido

Por mim passaram as verdades inconfessas
Por mim que viu o limite do eterno
Por mim nada resta
Um parto para cada poesia
Um sacrifício para a nova vida

Do amor que sobreveio à margem
Somos seres que foram despertos por outros
O sabor, a essência, a alma
Não é nossa por dentro do corpo

Guiado pela luz de outro caminho
Que sempre me ocultará meu verdadeiro destino
Eu sigo o rastro da fragrância jamais do meu
Mas de outro até mais avesso espírito - o Amor

sábado, 3 de novembro de 2012

Sangue numa Página em Branco (Pedro Drumond)





Sangue numa Página em Branco
(Pedro Drumond)

Se eu sei para que me surgira o amor?
Não descobri ao certo se para me expandir ou reduzir
Mas de fato seu único intento fora silenciar minh'alma
Instalá-la ao silêncio
Nada de guizos nem glórias
Apenas... e só apenas, sentimento

O amor fora tão primordial na minha vã história
Que por se tratar de sangue numa página em branco
Não tivera qualquer impressão, tradução
Portanto só me restara ser meu próprio significado
Meu único alento

Mil fantasias de um lado
Já d'outro a previsível dor
Nada que antes não tivera sido passado
Na goteira jazente e asfixiante da realidade, fez-se amor

E se for para falar de algum privilégio, confesso
É muito mais cômodo, pois nada custa ao hesitante aprendiz
Ser-se mais um infeliz na vida

Pois quem, sem maiores intensões
Reanima as brasas da felicidade
Assim como quem ama, preza mais o que semeia
Contrariando o que cativa


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Arte, pura arte!




Sabe o que torna a vida compensatória? Sabe o que a torna válida? Consegue me dizer o que dá sentido a tudo isso? Qual seria o estado mais belo, profundo, singelo, divino ou celeste que reúnem os homens, transcendo-os e os purificando?

A arte!

A arte é um amor evoluído e o amor é um artista boêmio embriagado de humanidade, ou seja, de grandeza pelos seus mínimos e autênticos representantes.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vestígios do Amor (Pedro Drumond)





Vestígios do Amor (Pedro Drumond)

Perdem-se as dúvidas, as buscas, as utopias
Finda-se na dimensão do viver as expectativas
Mas há algo... algo que se esclarecido, bom seria

Por isso pranteio uma doce tristeza
Que há tempos não me ocorre
Ah, quantas lágrimas, o amor e talvez você
Oh, estranha alegria! Amor, chore!

Chamo-o de amor, por não saber desqualificá-lo de outra forma
Nada acontece, as almas estão sempre seguras
Vagueando sobre as ruas, sabemos quem vai, quem vem
Juntos velamos o centro da vida, pois todos somos ninguém
E agora?

Orgulhe-se de seu pranto, ele é próprio de quem não é triste
Mas tem coração
O amor nunca estará por último nem poderá ser algo primeiro
Sinta-o, viva-o, mate-o, porque nada lhe ocorre pessoalmente

Aqueles olhos de mim fugiam, sempre fugiam
Agora esvaiu-se o que restava de alma
Sou um corpo sem vida, uma matéria inerte
Nada habita nessa carcaça que sou
A não ser vestígios do amor


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ausência de Amor (Pedro Drumond)




Ausência de Amor (Pedro Drumond)

Que espécie de ser humano chegaria a esse dilema:
Não existindo vazio pior que a extinção de sua ilusão e angústia
Seu peito, enegrecido pela ausência de amor
Confessa a falta que lhe faz
Aquela que um dia fora a sua primeira dor

Minh'alma por hora é um cais deserto
Onde há muito silêncio
Tal qual a paz de um dia sem tempestade
Ah, maldita paz!
Agora não me há sequer lascas de esperança ou medo
Foi-se de vez o fino amargor de uma saudade voraz

O amor agora decaiu no abismo que sou
Ele não escuta meu chamado
Pois já começo a ter falhas na memória d'alma
No sofrimento pelo menos eu amava... ou achava que amava
E mesmo assim nesse ínterim a felicidade nunca foi dispensada

Mas nesse momento, depois do amor
Tal nostalgia mui vagamente me assola
Em mim presente tal ausência
Depois do amor nada mais vigora
E o que sou eu sem a minha essência?

Não mais encontrei o amor
Aonde o deixei pela última vez
Eu parti sem querer ir e só por isso não disse adeus
E hoje volto surpreso, sem encontrar outra dúvida
Que não seja eu

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Somos? O que? Pra quê?





Nós somos apenas rascunhos. Setor em análise. Nós nem vivemos, nem existimos, nem morremos, nós nem porra nenhuma. Estamos na instante no concurso de convencimento - quem realmente vai passar do papel para o edifício? E isso não depende de 
nós. Na realidade, a gente nasce por meio do processo de gestação. Nascemos. Mas ainda somos uma barriga em gestação. Nós somos a barriga. Gestação. Algo tem que explodir, emergir. Nós somos apenas essa ponte. Depois que esse algo atravessar o caminho ficaremos para trás.





Porque é essa avalanche - que nos ensinaram ser suicida, clandestina, suja - quem realmente somos. É no selvagem que se encontra toda a pureza imutável do mundo. Nos ensinaram isso, aceitamos. Somos o que não somos porque se fizermos o contrário é como o rio que abre mão de sua pequenez porque só assim é que há o mar. O mar que invejamos e por tal jamais alcançamos.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Natureza de Incompreensivos (Pedro Drumond)



Natureza de Incompreensivos

(Pedro Drumond)

Deus...
Conhece quem o ignora
Amor...
Sente que lhe anestesia
Felicidade...
Dada por um encontro acidental de quem a porta
Solidão...
Amante das almas destemidas e dos seres sombrios

Vejam só, que pena! A solidão não me tem
Mas não me queixo de tê-la comigo

Ser encantador
É a única forma de oferecer riscos à vida
A luz do luar de espaço tão longínquo me chega
Intermediada por essa mesma escuridão
Que fez da lua minha vizinha

Se de cá ela é um reflexo
De lá eu devo ser a luz do dia

Eis o amor, como o único dilema que eu posso abordar
Sou o escolhido - Qual poeta, o amor posso expressar
Todavia com aquela única condição fatal
Onde a sabedoria só se é empregada
Quando não admitimos nossa natureza de incompreensivos
Nós que muito falamos
Porque no final hesitamos em entender
O que quer que fora dito